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Verão na Europa: cinco destinos, cinco maneiras de viver a estação mais desejada do ano

Existe uma Europa que eu conheço pelos livros, pelas pesquisas, pelo cinema, pelas fotografias e por todas as referências que o turismo ajudou a construir no nosso imaginário. Mas existe outra que eu ainda quero conhecer pessoalmente.

E, quando penso nessa viagem, confesso que o verão tem um apelo especial.

Talvez sejam os dias mais longos, as mesas ocupando as calçadas, o Mediterrâneo azul, as cidades históricas cheias de vida ou simplesmente aquela sensação de liberdade que tantas imagens do verão europeu conseguem transmitir. Ainda não vivi nada disso por lá. Por enquanto, observo, pesquiso e imagino.

Mas percebo que não quero conhecer todos esses lugares pelas mesmas razões.

Há destinos que despertam em mim uma sensação de familiaridade, mesmo sem nunca ter estado neles. Outros me atraem justamente porque representam algo novo. Há lugares relacionados à minha história familiar, outros à língua, à gastronomia, ao cinema ou simplesmente a uma maneira de viver que tenho curiosidade de observar de perto.

Talvez seja assim que muitas viagens realmente começam: muito antes da compra da passagem.

Itália: reconhecer do outro lado do oceano aquilo que cresceu perto de mim

A Itália é um desses lugares que nunca visitei, mas que nunca me pareceu completamente distante.

Cresci em Curitiba, uma cidade profundamente marcada pelas diferentes comunidades de imigrantes que participaram de sua formação. A presença italiana é uma delas. Santa Felicidade talvez seja sua expressão mais conhecida, com sua história ligada à imigração italiana e uma identidade que permanece presente na gastronomia, nas tradições e na própria imagem do bairro.

Por isso, quando penso em conhecer a Itália, não penso apenas em monumentos ou paisagens famosas. Tenho curiosidade de descobrir o território de onde partiram tantas referências que atravessaram o Atlântico e passaram a fazer parte da cultura do Sul do Brasil.

E existe, claro, a Itália que aprendi a desejar através das imagens: o Mediterrâneo, as cidades construídas sobre encostas, as pequenas mesas do lado de fora, a gastronomia, a Toscana, as ilhas e aquela ideia de dolce vita que o cinema ajudou a espalhar pelo mundo.

Gostaria de descobrir quanto dessa Itália imaginada existe de verdade.

Talvez seja justamente isso que mais me interesse: encontrar algo que parece familiar e, ao mesmo tempo, perceber tudo aquilo que nunca chegou até nós.

França: transformar referências em experiências

Com a França, a relação é diferente.

Paris faz parte de um imaginário construído por décadas de cinema, literatura, moda, arte e gastronomia. Há um romantismo associado à cidade e ao próprio país que provavelmente é, em parte, idealizado. E talvez seja justamente por isso que eu tenha tanta curiosidade de descobrir como é encontrar a França real depois de conhecer por tanto tempo a França das telas e das fotografias.

Mas não gostaria de conhecer apenas Paris.

Quero conhecer a Provence, suas pequenas cidades e as paisagens de lavanda que tantas vezes aparecem quando pensamos no verão francês. Quero experimentar a gastronomia, caminhar pelas cidades e descobrir os contrastes entre a capital, o interior e o Mediterrâneo.

E existe uma experiência particularmente simples que gostaria de viver: degustar Champagne na França.

Não porque seja impossível encontrá-lo em outros países, mas porque acredito que experimentar determinados produtos no território ao qual sua história está ligada acrescenta outra dimensão à viagem. Champagne não é apenas uma bebida, seu nome está ligado à região francesa onde é produzido, a uma tradição e a um saber construído naquele território.

Para alguém que aprecia espumantes, provar uma taça de Champagne na França teria, para mim, um significado diferente.

Seria transformar algo que conheço de longe em uma experiência ligada ao seu lugar de origem.

Espanha: uma língua que sempre esteve por perto

A Espanha desperta em mim outro tipo de familiaridade.

Gosto muito da língua espanhola. Ela está presente nos filmes e nas séries que assisto e em muitas das referências culturais que consumo. E, vivendo na América do Sul, é impossível ignorar que o português brasileiro está cercado por um continente majoritariamente hispanofalante.

No Sul do Brasil, essa proximidade ganha também uma dimensão histórica. A formação territorial da região passou por disputas entre as coroas portuguesa e espanhola, deixando uma história de fronteiras, encontros e influências que ultrapassa os limites atuais dos países.

Talvez por tudo isso o espanhol nunca tenha me parecido uma língua completamente distante.

Conhecer a Espanha seria finalmente colocar lugares, sotaques, costumes e paisagens ao redor de uma língua que há muito tempo desperta minha curiosidade.

E o verão parece uma estação especialmente interessante para isso.

Barcelona e sua relação com o Mediterrâneo, as ilhas, a Andaluzia, as praias, as festas e as noites que se prolongam são imagens que fazem parte desse desejo. Mas tenho curiosidade principalmente pelo cotidiano: ouvir o espanhol ao redor, perceber os diferentes sotaques, entrar em um café, observar as conversas e descobrir quanto da Espanha que conheço pelas produções audiovisuais se aproxima do país real.

Seria uma viagem também pela língua.

Alemanha: conhecer o território de uma história familiar

Com a Alemanha, a vontade de conhecer ganha uma dimensão ainda mais pessoal.

Minha família materna é de origem alemã e meu próprio sobrenome carrega essa história. Além disso, cresci no Sul do Brasil, uma região onde a imigração alemã deixou marcas importantes na formação de cidades, na arquitetura, na gastronomia, nas festas e em diferentes costumes.

Por isso, conhecer a Alemanha não seria simplesmente visitar mais um país europeu.

Também não penso nisso como uma “volta para casa”, porque minha história e minha identidade foram construídas aqui, no Brasil. Penso mais como a oportunidade de conhecer o outro lado de uma história que sempre esteve presente de alguma maneira na minha própria vida.

Gostaria de olhar para aquele território e tentar reconhecer traços que, depois de atravessarem o oceano e muitas gerações, também passaram a fazer parte do lugar onde cresci.

E há ainda uma curiosidade particular em conhecer a Alemanha justamente no verão.

Durante muito tempo, meu imaginário sobre o país esteve muito mais associado ao inverno, ao frio e às paisagens europeias dessa estação. Descobrir uma Alemanha verde, com lagos, trilhas, castelos, pequenas cidades e pessoas aproveitando os espaços ao ar livre provavelmente quebraria várias das imagens que construí à distância.

Talvez seja isso que eu mais queira encontrar ali: não apenas minhas referências, mas também aquilo que nunca imaginei.

Países Baixos: descobrir outra maneira de viver a cidade

Dos cinco destinos desta lista, os Países Baixos talvez sejam aqueles com os quais tenho menos referências pessoais.

E isso, por si só, já é uma boa razão para querer conhecê-los.

Amsterdam chama atenção pelos canais, pelas casas históricas e pela paisagem urbana tão característica. Mas existe um aspecto que me desperta uma curiosidade especial: a relação das pessoas com a bicicleta e com a cidade.

Moro em uma cidade onde a bicicleta também faz parte do cotidiano de muita gente. Por isso, tenho vontade de experimentar um lugar onde ela está profundamente incorporada à mobilidade urbana e observar como essa escolha interfere na maneira como as pessoas ocupam e percebem o espaço.

Gostaria de caminhar por Amsterdam, navegar pelos canais e, quem sabe, descobrir a cidade também sobre duas rodas.

Viajar não precisa significar apenas encontrar coisas completamente diferentes daquelas que conhecemos. Às vezes, o mais interessante é encontrar uma prática familiar organizada de outra maneira e voltar para casa olhando para o próprio cotidiano com outros olhos.

Talvez seja por isso que a gente viaje

Quando comecei a pensar nesses cinco destinos, imaginei que estivesse escolhendo apenas cinco maneiras diferentes de aproveitar o verão europeu.

Mas percebi que a escolha dizia muito mais sobre por que quero viajar.

Na Itália, quero reconhecer referências culturais que fizeram parte do lugar onde cresci. Na Alemanha, quero me aproximar de uma história que atravessa minha própria família. Na Espanha, quero encontrar o território de uma língua e de uma cultura que há muito tempo me atraem. Na França, quero transformar imagens, sabores e referências construídas à distância em experiências reais. E, nos Países Baixos, quero descobrir uma maneira diferente de viver e ocupar a cidade.

Nenhuma dessas experiências aconteceu ainda.

E talvez isso seja justamente o mais interessante.

Porque viajar também começa no desejo, na pesquisa, nas histórias que ouvimos e na curiosidade que um lugar desperta antes mesmo de sabermos quando conseguiremos chegar até ele.

Compartilho esses cinco destinos não como alguém que já voltou de lá com todas as respostas, mas como alguém que ainda pretende e sonha em fazer essa viagem, acreditando que conhecer outros territórios também pode mudar a maneira como compreendemos o nosso.

O verão europeu deste ano já caminha para o fim. Outros virão.

E, enquanto isso, continuo construindo minha lista, pesquisando, imaginando e transformando aquela vontade distante de conhecer em uma viagem que, algum dia, espero realizar.

E você? Qual lugar você ainda não conhece, mas, por alguma razão, já sente que precisa conhecer?

Por Aline Pschera